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Amar e Mudar as Coisas – O Verso de Belchior

Amar e mudar as coisas me interessa mais - verso de Belchior na canção Alucinação

Existe um verso brasileiro que virou quase provérbio. Quase todo mundo conhece a frase; poucos sabem de onde ela vem.

Eu não estou interessado em nenhuma teoria... amar e mudar as coisas me interessa mais. Belchior — "Alucinação", 1976

Ela não é o nome de uma música, como muita gente pensa. É um verso de Alucinação, faixa que dá nome ao disco de 1976 do cearense Belchior (1946–2017).

O que ele estava recusando

A força do verso está no que vem antes dele. Belchior começa dizendo o que não lhe interessa: teoria, fantasia, "algo mais". Só depois diz o que interessa.

Era 1976, no meio da ditadura militar. Havia muito discurso circulando — de todos os lados — e pouca coisa mudando de fato. O verso é uma recusa da conversa que não sai do lugar.

Amor que faz alguma coisa

Repare que ele não separa as duas palavras. Não é "amar" e depois, quem sabe, "mudar". É amar e mudar — como se uma coisa puxasse a outra.

A Bíblia diz isso de forma parecida. 1 João 3:18: "Filhinhos meus, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade."

E Tiago 2:17 aplica o mesmo raciocínio à fé: "A fé, se não tiver obras, é morta em si mesma." Amor que não muda nada e fé que não faz nada têm o mesmo problema.

O risco da indignação sem ação

Hoje o verso soa ainda mais atual, e por um motivo que Belchior não podia prever: as redes sociais deram voz a todo mundo e tornaram muito fácil confundir reclamar com agir.

Compartilhar indignação custa nada. Amar e mudar custa tempo, dinheiro e paciência. É a diferença entre lamentar a situação de alguém e ir até a casa dessa pessoa.

Romanos 12:21 aponta a direção: "Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem." Vencer o mal com o bem exige fazer alguma coisa.

Onde começa

  • Perto. Mudar o mundo é abstrato demais. Mudar a rua, a casa, o trabalho é concreto e está ao alcance.
  • Pequeno. Uma cesta básica entregue vale mais que dez publicações sobre a fome.
  • Constante. Ajuda uma vez por ano é gesto; ajuda todo mês é mudança.
  • Sem plateia. O que se faz sem contar a ninguém costuma ser o mais verdadeiro.

Conclusão

Belchior morreu em 2017, e essa frase continua sendo repetida em legenda de foto, em cartaz de manifestação e em conversa de bar. Repetir é fácil. Fazer é que é o assunto dela.

1 Coríntios 13:13 resume o motivo de o verso ainda pegar: "Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor."

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